É mó legal descobrir, a 5 minutos antes de sair de casa,que os motoristas e cobradores de ônibus estão em greve. E isso às 6 da manhã, quando já está tudo lotado naturalmente. E o mais legal de tudo é que, dentre as várias empresas que fazem o transporte público na cidade, justamente a que atende a minha região foi a única a parar. Com o metrô a vários kilômetros de distância, o jeito foi me aventurar em um dos Beléns super abarrotados de pessoas.
A Viagem: Parte I
Aquele era o ônibus menos lotado que havia aparecido até então. À primeira vista, havia espaço para mais umas 4 ou 5 pessoas antes da catraca e a parte traseira do coletivo estava completamente lotada, mas, no ponto seguinte, provou-se que cabia muito mais gente lá dentro. Como não havia o menor vestígio de 2182 nas ruas e eu já estava atrasado, resolvi entrar.
Felizmente, às 6h40min da manhã a probabilidade de aparecer pessoas catinguentas no coletivo era pequena, e isto não me incomodou. Entretanto, o sol ia subindo, e o calor começou a incomodar. Segurava a mochila na mão esquerda e o balaústre na mão direita e, a cada curva que o ônibus fazia, eu tinha que segurar o meu peso e o de mais umas três pessoas no braço direito, ou porque não podiam se segurar com mais força, ou porque não queriam.
- Dá mais um passinho pro fundo aê pessoal, por favor!
- Não dá!!
- Não dá?? Vai na Leste e diz isso pro cobrador pra você ver se não dá!
Mas, depois de meia hora de esmagamento, abafaréu e stress, e quase com a coluna partida em dois, eu enfim cheguei à av. Celso Garcia. Afinal, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
A Viagem: Parte II
Depois de pegar um ZN com cara de ZL, tive que pegar um autêntico ZL lotado que só a porra, pra variar, com o ar viciado e com calor sempre presentes. O caminho da Celso Garcia para a R. do Gasômetro é curto, por isso foi uma batalha terrível para chegar na porta de saída do coletivo.
Eu precisava de tempo para alcançar a porta, mas tive o azar do motorista correr pra caralho. Abrindo caminho como dava, tomando algumas cotoveladas como represália e com os braços bambos devido ao esforço da 1ª parte da viagem, ainda cheguei na saída e desci no ponto certo.
Com a sede de 80 camelos, com o cansaço de 50 maratonistas e a preguiça de 130 baianos, cheguei ao meu destino, com 40 minutos de atraso e suando mais que tampa de marmita. Isso foi pra eu parar de reclamar dos dias em que não vou sentado no ônibus, dos dias em que fico em pé o caminho todo. Mas é a vida... Se os caras podem reivindicar seus direitos fodendo com alguns milhares de paulistanos, fazer o quê... Paciência. Aliás, muuuuita paciência.



