Andei meio afastado desta página por uns tempos, não sei por quê. Mas o fato é que, por conta desse afastamento, quase passou batido esse dia, há pouco mais de uma semana atrás, que foi, foda, foda, foda, muito foda.
Eu nem curtia muito AC/DC. Pra falar a verdade, foi do nada que resolvi baixar o álbum Black Ice pra ouvir, e graças a ele aceitei o ingresso para o show deles que meu irmão me ofereceu. Mas isso não importa, eu estou aqui é pra falar do show.
Realmente foi uma data muito esperada por muita gente de muitas partes do Brasil. Um show para 65 mil pessoas no Morumbi, único no Brasil, contribuiu para dar o status foda do show. Era nego acampando dois dias antes na fila, gente de tudo quanto é canto do país, festival de objetos exóticos com o símbolo da banda (ímãs de geladaira, chinelos, etc e tal...), filas enormes abraçando o estádio, calor de 30 Paraíbas... Tudo para ver o show do ano.
Fato interessante nº1: Moita-mijadouro
Na fila, esperando os portões se abrirem, o povo esperava ansiosamente debaixo do sol escaldante. Para tentar vencê-lo, litros e litros de cerveja gelada (ou não) foram vendidos à multidão. Mas a cerveja possui o inconveniente de dar uma vontade da porra de mijar. Resultado? Algumas moitas viraram mijadouro para os beberrões. Mijadouros unissex, aliás, pois vez ou outra apareciam seres femininos agachados molhando a moita. Acredito que, no dia seguinte, nem galhos haviam mais no local.
Fato interessante nº2: Em cartaz: AC/DC - Black Ice World Tour
Enquanto esperávamos na fila, apareceu um povinho que parecia que ia ao show do Skid Rowla com o discurso: "Estamos arrecadando dinheiro para comprar ingresso com um cambista, qualquer moedinha já ajuda. Tem como vocês nos ajudarem?". Alguns minutos mais tarde, apareceu uma mina com as mesmas palavras. Esse povo pensava que AC/DC era igual Cinemark, onde às 3h o ingresso era 4 reais, não é possível. O ingresso já era caro pra cacete, muito mais nas mãos de cambistas, acho que não era com moedinhas que eles iam conseguir alguma coisa. Poderiam deixar de lorota e ir direto ao assunto: " Quero dinheiro pra comprar cerveja. Você tem??".
Bem, voltando... Às 4 e pouco os portões se abriram, e então adentramos na arquibancada. Apesar da distância entre a arquibancada e o palco, era uma visão e tanto que tínhamos das coisas por lá. Enfim, entramos na arquibancada e a chuva começou. Uma puta chuva. Aí o mano que cuidava do som colocou "November Rain" do Guns pra combinar com o clima. Apesar da tempestade, o povo estava animado. No momento em que tocou Iron Man, a multidão fez coro, como se o próprio Sabbath estivesse no palco.
Este post vai ficar tremendamente grande... Mas foda-se. Ninguém mais perde tempo lendo esta bosta, e, se houver algum idiota que ainda lê, não ligo que perca a paciência antes que chegue ao fim da leitura. E vamo que vamo...
Passada a chuva, começaram as olas. Era uma atrás da outra, de ponta a ponta do estádio, até que o povo se encheu disso. Mas a cambada da arquibancada era hiperativa, então começou a mandar a pista tomar no cu. Mandou o Nasi tomar no cu. Mandou a arquibancada azul tomar no cu. Mas, coitado do Nasi... Mandaram-no tomar no cu com tanta energia, mas eu achei fodaço o show de abertura dele, mas...
Começou a chover de novo. Foi aí que eu reparei no "eficiente" sistema de escoamento de água do Morumbi. A água das arquibancadas superiores passavam por canos compridos, que deixavam a água cair no meio das cadeiras abaixo. Ou seja, quem estava sentado nas cadeiras embaixo de um cano desses era presenteado com litros e mais litros de água sobre suas cabeças.
Passada a chuva, Nasi entrou no palco. Apesar de tê-lo mandado tomar no cu várias vezes, ele foi bem recebido pelo povo. Cantou um pouco de sua carreira solo, Ira!, Raul, Clash e sei lá mais o quê. Para a última música, chamou o arroz de festa guitarrista Andreas Kisser. Foi bom, foi legal, mas o povo tava doido pra ver AC/DC. Então, ao término, mandaram o Nasi tomar no cu de novo.
Fato interessante nº3: O clã dos copos d'água voadores
Faltava 1 hora para o show começar. A arquibancada estava cheia de água da chuva e copos plásticos vazios, o pessoal não aguentava mais fazer olas e estava ficando entediado. Então, para se divertir, o povo começou a encher os copos com água e jogar em quem estava entrando na pista. Alguns seguranças parados lá embaixo também viraram alvos dos atiradores de copos das arquibancadas, e a tudo olhavam sem poder fazer nada. quando um copo acertava um joselito lá embaixo, todos gritavam de alegria. Depois de algumas dezenas (ou centenas, sei lá) de copos ao ar, a munição acabou. O pessoal quase que estava comprando cerveja só pra poder jogar o copo lá embaixo. Muito foda, altas risadas com os energúmenos lá embaixo xingando a arquibancada.

Eis que, com incríveis 5 minutos de atraso (nem dá pra chamar isso de atraso), as luzes se apagam e começa o video de introdução no telão. A multidão foi ao delírio quando, ao término do video, o AC/DC entrou no palco tocando Rock n' Roll Train. O estádio tremeu (literalmente falando) sob a agitação eufórica da arquibancada. Aí eu já gastei 80% de minha garganta, então percebi que devia me moderar para aguentar até o fim. Ao fim da música, Brian Johnson saudou a galera e disse "We don't speak brazilian, but we speak rock n'roll!". Nós também não falamos brasileiro, mas foda-se! O fato é que eles falam o rock n' roll como poucos nesse mundo, então podemos ignorar esta pequena gafe. O Brian é um tiozinho bem simpático, que não para de se mexer um segundo sequer no palco, apesar da idade e de sua barriguinha saliente. Depois deste erro macarrônico, veio "Hell ain't a bad place to be" que, como todas as outras músicas, foi do caralho. Como eu não sabia a letra dessa música, deu pra me recompor um pouco da anterior.

As outras músicas do álbum novo da banda foram muito bem recebidas por todos: Black Ice, um blues bem fodástico (tô ouvindo agora, por sinal), Big Jack (nem lembro direito como foi) e War Machine (com um video de bombardeiros despejando guitarras ao ar, caravelas e um sino). Mas o povo tava é doido mesmo pra ouvir os clássicos da banda. Quando o riff de Back in Black saiu das enormes caixas de som do estádio, todos foram à loucura, assim como aconteceu com Dirty Deeds Done Dirt Cheap (uma das melhores da noite), TNT(idem), Whole Lotta Rosie, entre outros.

Dirty Deeds foi uma das melhores da noite. Com seu riff lento e pesado, levantou a todos no estádio, com todo mundo cantando junto o refrão.
Sem dúvida a mais foda foi Thunderstruck. Pra mim é uma das melhores músicas da banda, mas quando aquelas 65 mil pessoas começaram a gritar THUNDER!, todas juntas, eu pirei. Enquanto Brian fazia gestos no palco para animar a negada, no telão aparecia a palheta de Malcolm tocando, intercalada com um raio luminoso que ditava o momento certo da multidão entoar o THUNDER!.
Outro momento ducarai foi em The Jack. Brian anunciou Angus: "he has the devil in his fingers and the blues in his sooooul". Ao ritmo da música, Angus começou a se despir no palco. Tirou sua gravata verde e amarela, sua camisa branca e, virando-se de costas para o palco, abaixou a bermuda curta, mostrando que usava ceroulas com o logo da banda estampado no rabo. Ele está velho, é magro, feio pra porra e está longe de ser sexy, mas o carisma desse cara é gigantesco. Até motivou uma mina na pista a levantar a blusa e mostrar o sutiã. Podia estar sem ele, mas tudo bem né...

Ao fim desta música, as luzes do palco se apagaram, onde apenas um facho de luz revelou um sino enorme descendo no palco, anunciando Hells Bells. Brian correu uns 70 metros de palco para se pendurar na corda do sino, dando uma badalada para começar a música. Clássico absoluto da banda, a arquibancada balançou de novo, e neste momento eu já tava me enchendo da maconha fumada pelos caras à minha esquerda. Mas tratei de ignorar isto tudo e aproveitar o som.
Quando a banda começou a tocar TNT, a plateia liberou uma energia do caralho, porque a música é muito foda.Seu riff imponente deixou todos doidos, e ouvir o coro de 65 mil pessos cantando o refrão dessa música é algo indescritível.
Whole Lotta Rosie é outro baita clássico da banda, e a boneca inflável de formas fartas que apareceu montada na locomotiva em cima do palco foi muito foda.
Esse post tá crescendo mais do que eu imaginava. Será que tem alguém que aguentou ler até aqui? Bem, isso não importa. Continuemos...
Let there be rock foi um dos pontos altos do show. Com um esquema fantástico de luzes, que revelaram que não havia lugar nenhum vazio dentro do estádio, Angus Young mostrou que, mais do que um tiozinho carismático, ele é um músico que domina completamente seu instrumento. Foram mais de 10 minutos de um solo alucinante, correndo de um lado para o outro do palco, deitando no chão... Houve até uma plataforma que ergueu-se sob seus pés, com direito a chuva de papel picado e tudo. Houve o momento em que ele tocava qualquer coisa em sua guitarra e colocava a mão por trás da orelha, como se dissesse "grita mais alto, porra!!". Enfim, aí ele mostrou porque é considerado uma lenda viva do rock n' roll.

A banda se despediu e foi embora, mas (óbvio) todos sabiam que eles voltariam. Highway to Hell foi tocada de forma impecável (como todas as outras músicas), com Angus fazendo seus chifrinhos com os dedos na cabeça, aparecendo no telão atrás de uma cortina de fogo.
For Those About to Rock (We Salute You) veio pra fechar a memorável apresentação, com uma dúzia de canhões posicionados ao fundo do palco disparando fumaça nos momentos em que eram requisitados. A banda então foi embora, desta vez pra valer. Mas, quando todos achavam que o espetáculo estava terminado, fogos de artifício subiram aos céus, proporcionando uma imagem fantástica, surreal, digna de ano-novo em Copacabana. Mas, depois de exatas 2 horas de show, devíamos todos voltar para nossas casas, ainda sob o fascínio daquela noite.

Aí começou o martírio. Com alguns milhares de pessoas sindo ao mesmo tempo do estádio, as estreitas ruas do Morumbi ficaram congestionadas. Foi duro contornar o estádio para chegar aos ônibus. Após chegar a um lugar um pouco mais tranquilo, meus amigos perguntaram a uns funcionários da CET algumas informações a respeito de transporte público. O foda é que ninguém sabia de nada, mas acabamos achando um buzum que seguia para a Pça. Ramos de Azevedo. Era uma meia dúzia de ônibus que estavam parados lá, e deviam atender a várias pessoas que pretendiam chegar ao centro da cidade. Ou seja, lotou pra cacete de gente suada. O ônibus não se viu livre de congestionamentos até o momento em que chegou à av. Rebouças, e eu não vi quase nada disso, pois estava dormindo (em pé) tamanho o cansaço que estava sentindo. Meus amigos desceram na Consolação, enquanto eu e meu irmão fomos como zumbis até o final do ônibus, onde algumas pessoas dormiam em frente à estação do metrô, esperando que o mesmo voltasse a trabalhar. Mas eu e meu brother não tinhamos interesse em metrô, então rumamos em direção à pça. do Correio. Ficar mais de 1 hora e meia esperando ônibus naquele lugar de madrugada é realmente tenso, mas tirando umas baratas na rua e uns caras comprando dorgas a poucos metros de distância, correu tudo bem. Até encontramos um cara que também havia ido ao show, com quem deu pra conversar um pouco e melhorar o clima no local.
Cansado que só a porra, com os pés há mais de 10 horas encharcados e ainda feliz pra caralho, cheguei em casa quase às 4 da madruga, convicto de que faria tudo isso de novo se fosse para assistir a outro show do AC/DC. A iluminação do espetáculo estava fantástica, o som impecável, os elementos especiais no palco (A locomotiva de 6 ton, o sino de 0,5 ton, a Rosie, os canhões e sei lá mais o quê) estavam do caralho. A plateia também está de parabéns, soube completar o espetáculo proporcionado pelos músicos do palco.
Mas os caras do AC/DC foram demais no palco. Brian Johnson, com sua boina característica, levantava a multidão, com sua voz aguda e rouca, sempre fazendo gestos estranhos e caminhando de um lado para o outro no palco. Angus Young, bem... Angus é Angus! Figurinha carismática que é um monstro na guitarra em vários momentos levou seus espectadores ao delírio, seja nos solos, nos riffs ou no strip tease. Malcolm Young, Phil Rudd e Cliff Williams, apesar de aparecerem menos que Brian e Angus, não são menos importantes. Tocaram o setlist do show com maestria, tudo perfeitamente executado. Juntos, proporcionaram o maior show do ano em São Paulo (tem nego dizendo até do Brasil, sei lá eu), que vai levar um bom tempo para sair da cabeça de quem estava lá presente.
Depois deste texto gigantesco, me despeço por aqui, deixando meus parabéns a quem teve saco de ler a tudo isso.



